Governo do Estado faz parceria com Projeto Rondon para transformar regiões carentes

Universitários estão “plantando” sementes de mudança com o apoio da Fundação Educacional Caio Martins (Fucam) nos Territórios Norte, Noroeste e Metropolitano

Conviver com comunidades de realidades muito diferentes e ajudá-las no fortalecimento organizacional e na transformação social. Esse é o desafio vivido por universitários participantes do tradicional Projeto Rondon, que completa 50 anos neste mês e, em Minas Gerais, inspirou uma importante ação social, agora com a participação da Fundação Educacional Caio Martins (Fucam), instituição do Governo do Estado.

O Projeto Rondon Minas nasceu em 2005 e, neste ano, tem 300 voluntários em 14 municípios mineiros selecionados, sendo 90 deles em localidades onde existem unidades da Fucam.

A Fucam tem 69 anos de história na prestação de serviços à sociedade por meio de atividades complementares, atualmente incluindo cursos profissionalizantes e semiprofissionalizantes destinados às populações mais carentes, principalmente na zona rural.

A sede da fundação está na Cidade Administrativa de Minas Gerais e, fora da capital, existem seis centros educacionais: em Buritizeiro, Januária, Juvenília, São Francisco (Território Norte), Riachinho (Território Noroeste) e Esmeraldas (Território Metropolitano).

Segundo o vice-presidente da Fucam, Gildázio dos Santos, a ideia de procurar o Projeto Rondon Minas surgiu após a conclusão do diagnóstico realizado na fundação em 2015 e 2016, que trouxe a necessidade de ressignificação da entidade e do seu papel nas comunidades onde está presente e no seu entorno. As novas diretrizes da Fucam possibilitaram estabelecer novos rumos e desenvolver novos projetos.

Após uma série de discussões, houve sinal verde do Projeto Rondon Minas, que chamou os universitários a se inscrever e passar pelo curso de formação na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

“Estreitamos a relação, buscamos parcerias com as prefeituras e, no Estado, com o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) e com Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag). Assim viabilizamos o transporte, alojamento e alimentação para 90 universitários na Fucam”, explica Gildázio. 

“O Projeto Rondon tem uma trajetória respeitada de lutas e conquistas para o povo brasileiro e, para nós, enquanto instituição governamental, a prioridade é dar oportunidades a quem mais precisa, e isso as duas instituições sabem fazer muito bem”, Maria Tereza Lara, presidente da Fucam.

Ricas experiências

Uma das voluntárias é Flaviane Timóteo, estudante do nono período de Engenharia Civil da Faculdade Kennedy. Ela diz que a experiência tem valido a pena, que o contato com as pessoas é muito enriquecedor e que espera contribuir para melhorar a vida em Buritizeiro, onde atua.

“Existem situações que nos tocam profundamente, como a falta de empregos, famílias de quatro pessoas em situação precária, vivendo apenas com R$ 85 do programa Bolsa Família”, lamenta Flaviane.

A universitária alerta também sobre a criminalidade estimulada pelo consumo de drogas em algumas áreas. Flaviane acredita que é preciso estimular o desenvolvimento, por meio da agricultura familiar, que já é uma vocação do lugar, e buscar outras fontes possíveis. 

A universitária é voluntária na turma coordenada por Amanda Maciel, arquiteta e mestranda de Geografia, que lidera o trabalho de estudantes de Direito, Psicologia, Fonoaudiologia, Enfermagem, Biomedicina, Gestão Pública, Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo em Buritizeiro, município do Território Norte do estado, com 28 mil habitantes, distante 365 km de Belo Horizonte.

Para Thaíza da Costa, outra voluntária, estudante do oitavo período de Direito da PUC Minas, há falta de informação às pessoas, o que limita o exercício pleno da cidadania de boa parte da comunidade.

“Diversas pessoas com que mantive contato vivem com quase nada e outras saem de lá na luta pela sobrevivência. Estou aprendendo muito, reunindo com entidades da sociedade civil e com o poder público, ao mesmo tempo ouvindo a comunidade que lá vive. De alguma forma, vamos poder ajudar”, acredita Thaíza. 

A coordenadora Amanda aposta que os 350 questionários aplicados contemplando todas as regiões urbanas e rurais, aliados ao diálogo com as comunidades e autoridades, serão as fontes do diagnóstico.

Próximos passos

A recepção aos voluntários do Projeto Rondon Minas ocorreu no dia 10 de julho e todos já estão integrados nas unidades da Fucam e junto à população do município. Nessa primeira fase, os rondonistas estão aplicando questionários que darão origem a um diagnostico detalhado a ser apresentado em outubro.

Os universitários permanecem nos municípios até este sábado (23/7), concluindo um período em que mantêm trabalho intenso, integração com os moradores, vivendo experiências únicas marcadas por solidariedade e pela troca de informações.

Em dezembro, os universitários voltarão às comunidades para mais uma temporada, oportunidade em que vão priorizar ações a partir das áreas apontadas no diagnóstico.

O projeto prevê, ainda, dois retornos às unidades da Fucam em 2018: julho e dezembro, quando haverá encerramento do Projeto Rondon Minas naquelas localidades. “Os resultados poderão ser muito maiores do que esperamos, e ao longo desse trabalho, vamos avançar ainda mais”, prevê o vice-presidente da Fucam, Gildázio dos Santos.

Com a experiência de ter participado do Rondon nacional, a professora da PUC Minas, Mônica Abranches, foi uma das fundadoras do Projeto Rondon Minas, hoje coordenado por ela. Mônica relata que o trabalho atual é muito mais socioeducativo, levando orientações e tecnologias sociais para ajudar municípios no desenvolvimento sustentável.

“Além da parceria com as prefeituras, conversamos com comerciantes, entidades locais e a comunidade para chegarmos ao diagnóstico. Qualquer oportunidade que temos de dialogar é importante e, por trás de tudo isso, a formação política do cidadão, no sentido de política pública”, afirma a professora. 

A coordenadora ressalta o diagnóstico participativo como a mais importante etapa do trabalho que tem os universitários no levantamento de informações junto à população e às autoridades do município.

“Teremos um estudo com olhar qualificado, diferenciado e multidisciplinar para ser apresentado pelos integrantes do Projeto Rondon Minas para gestores municipais e estaduais”, diz Mônica, ao colocar a mobilização como outro ponto imprescindível para todos os envolvidos, sobretudo aos moradores, que devem ser os principais agentes de mudança nas regiões. 

A coordenadora estadual do Projeto Rondon Minas assegurou parceria também com a Defensoria Pública da União (DPU), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), Procon do Ministério Público Estadual, Escola de Administração Fazendária (Esaf), Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e Rotary Clube.

Números do Rondon

O Projeto Rondon foi lançado em 1967, extinto em 1989 e, desde seu relançamento, em 2005, já contemplou 844 municípios brasileiros, envolvendo 19.170 voluntários de 291 Instituições de Ensino Superior em 151 diferentes ações.

Ao longo da sua existência, o Projeto Rondon se tornou um sucesso, transformando comunidades com atendimentos e orientação nas áreas social, incluindo saúde, saneamento, profissionalização, benefícios previdenciários viabilizados a família que desconheciam as leis, conselhos tutelares criados, conscientização de direitos do cidadão em áreas diversas.

Os exemplos são transformadores como em um dos municípios atendidos na região Norte do Brasil, onde os remédios do Sistema Único de Saúde (SUS) ficavam na residência do prefeito municipal para distribuir ao cidadão. Com habilidade e diálogo, os voluntários conseguiram convencer as autoridades e a comunidade de que a saúde é um direito e, portanto, os medicamentos deveriam ficar em um equipamento público para um acesso tranquilo, sem subserviência.

Fotos:  Divulgação/Fucam

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